Resenha #151: Como Parar o Tempo

Título: Como parar o tempo
AutorMatt Haig
Editora: Harper Collins
Nº de Páginas: 320

A PRIMEIRA REGRA É NÃO SE APAIXONAR.
Tom Hazard esconde um segredo perigoso. Ele pode aparentar ser um quarentão normal, mas por causa de uma estranha condição está vivo há séculos. Da Inglaterra elisabetana à era do jazz parisiense, e de Nova York aos mares do sul, Tom já testemunhou tanto que agora precisa apenas de uma vida normal. 
Sempre trocando a identidade para se manter a salvo, ele encontra o disfarce perfeito trabalhando como professor de História em Londres. Assim, pode trazer suas experiências do passado como fatos vivos. Pode manipular as histórias para seus alunos. Pode levar uma vida normal. Tom só não pode se esquecer da primeira regra. Aquela sobre paixão...
Como parar o tempo é um romance doce e envolvente sobre como se perder e se encontrar na própria história. É sobre as certezas da mudança dos tempos e o tempo que a vida leva para nos ensinar como vivê-la.

Olá pessoal, tudo bom com vocês? A resenha de hoje é de um livro muito amorzinho cedido em cortesia pela editora Harper Collins. Vamos falar um pouco sobre Como parar o tempo, do autor Matt Haig?


_A primeira regra é não se apaixonar – disse ele – Há outras regras, mas esta é a principal. Nada de se apaixonar. Nada de ficar apaixonado. Nem pense em amor. Se seguir esta regra, vai ficar tudo relativamente bem. (...) Você pode, é claro, amar comida, música e champanhe e as raras tardes ensolaradas de outubro. Pode amar cachoeiras e o cheiro de livro antigo, mas não pode amar pessoas. Está ouvindo? Não se apegue às pessoas, e tente sentir o menos possível por aquelas que conhecer. Porque, de outro modo, aos poucos enlouquecerá.

Imagine como seria viver mais quatro séculos, podendo chegar aos nove séculos e meio? Imagine que só você possua essa condição, mas as pessoas que ama não. É isso que acontece com Tom, nosso personagem principal.

“ (...) Caí em um estado além da frequente dor e inquietação e ansiedade e desespero de sempre – não senti mais nada. E quando eu não senti mais nada, quase tive saudade da dor; com a dor, ao menos se sabe que se está vivo”.

Tom tem uma condição genética rara, que faz com que envelheça aos poucos e muito mais lentamente que seres humanos com genética ordinária. Ele não adoece com facilidade, tem uma imunidade além do normal. Mas é claro que uma vida tão extensa não viria sem um preço.

Além de perder as pessoas que amou por sua condição, atualmente, em seus 439 anos este tem o desejo de viver uma vida normal, sem ter que se mudar a cada oito anos, sem ter que sempre mudar sua identidade. Além disso, ele vive uma vida onde nunca pode se apaixonar, é a maior  regra.

“ Ocorreu-me que seres humanos não vivem além, dos cem anos porque simplesmente não aguentavam. Psicologicamente, quero dizer. Você se acaba. Não há você o suficiente para seguir em frente. Você fica muito entediado com a própria mente. Com o modo como a vida se repete. Como, depois de um tempo, não há mais sorriso ou gesto inédito. Não há mudança na ordem do mundo que não ecoe outras mudanças na ordem do mundo. E as notícias param de ser novidades. A palavra “novidade” torna-se uma piada. É tudo um ciclo. Um ciclo rodando lentamente para baixo. E sua tolerância pelos seres humanos, fazendo os mesmos erros de novo e de novo e de novo e de novo outra vez, começa a desaparecer. É como ficar preso na mesma canção, com um refrão que já foi do seu gosto, mas que agora lhe dá vontade de furar os tímpanos”.

Quem estipulou tal regra é a sociedade da qual Tom faz parte. A sociedade Albatroz é composta por pessoas com o mesmo “problema” que ele. Seu líder é Hendrich, que exige para proteção de seus membros a obrigação de cumprir algumas regras e realizar algumas missões para o mesmo. 

A principal regra parecia fácil até que o mesmo resolve assumir uma vida como professor de história e acaba se deparando com alguém que o deixa intrigado após quatro séculos. Tal envolvimento faz com que ele questione todas as regras que vem seguindo, entretanto, será tão fácil assim tomar as rédeas de sua vida e quebrar as regras que vem seguindo por tanto tempo? Quais seriam as consequências de fazê-lo? E de não fazê-lo? Vale a pena apenas existir, sem realmente viver plenamente?


Quem nunca sequer pensou em como seria viver eternamente que atire a primeira pedra. Muitos podem não se recordar, mas, ainda que inconscientemente, todos nós já refletimos sobre essa possibilidade.

Por esse motivo, quando a Haper Collins me ofereceu a oportunidade de ler esta obra, sequer pensei duas vezes! Sabia que seria uma leitura interessante e envolvente, só não imaginei o quanto!

Através de uma história que se passa entre passado e presente, percebemos que talvez não seja tão fascinante assim uma vida eterna ou mais extensa do que já é. Para Tom, nosso personagem, é extremamente cansativo e doloroso. Ele viu as pessoas que amava morrerem – sua mãe, por sua condição, sendo acusa de bruxaria devido ao filho que não envelhecia; e seu amor, por não ter as mesmas condições que ele. Percebemos o quão cansativo é não poder criar raízes, não ter controle integral sobre sua própria vida e vontades.

E é através dessa e de muitas outras nuances que vamos refletindo junto com Tom sobre a questão de uma vida eterna ou mais extensa. Mas, não é apenas esta reflexão que o livro nos traz. Acompanhamos uma história sobre segundas chances, recomeços, sobre o amor e sua importância e sobre o agora.

São vários questionamentos que nos colocam para pensar em tudo a nossa volta e no que realmente somos e isso é incrível.

Além de tudo o que já falei, ainda temos questões no livro que nos intrigam e surpreendem, principalmente no que se refere a organização a qual Tom pertence.

É maravilhoso poder acompanhar um personagem tão incrível, inteligente e perspicaz quanto Tom. Torcemos a todo o momento para que ele encontre o que procura, para que volte a viver plenamente. É acompanhando este personagem construído em meio a erros e acertos que conhecemos e nos encantamos com um enredo diferente, bem escrito, envolve e extremamente fluido, que ganha um espaço no coração e na mente, quando você menos espera. 

Não vou continuar para não cansar vocês, mas fica aqui minha recomendação desse livro incrível, com quotes maravilhosos e com um enredo extremamente envolvente. Se deixem cativar pela história de Tom!

Espero que tenham gostado da indicação de hoje! Não deixem de comentar, ok? Beijos e até o próximo post!
“Sempre que vejo alguém lendo um livro, ainda mais alguém que não esperava, sinto que a civilização está um pouco mais segura”.

19 comentários:

  1. Eu fiz a troca deste livro e peguei em um sebo e acho que fiz uma ótima escolha. Eu não imaginava que era tão bom e acho que vou adorar porque é algo diferente principalmente por ele ter que viver tanto, me lembra o DR. Gray de um seriado que não se apaixonava também.

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  2. Quero tanto ler este livro, adoro a premissa dele, Fiquei muito curiosa quanto aos questionamentos que Tom levanta em relação a sua sociedade, isso aguça ainda mais o desejo de leitura.
    As fotos ficaram lindas e demonstram bem a beleza do livro em um contexto geral, adorei a dica e conhecer a sua opinião sobre o livro.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  3. Oie, tudo bom?
    Gente, que livro lin-do! Amei a capa, e essa premissa me deixou maluca, pois amo toda e qualquer distopia que tenha a ver com o tempo, imortalidade, etc. Acertou em cheio na dica pra mim, já tá na lista!

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  4. Ola lindona amei essa sinopse me deixou mega curiosa, como vivemos sem nos apaixonar e sentir o amor a maior dádiva da vida. A capa está linda, com certeza irá para minha lista de leitura. ótima Dica. beijos

    Joyce
    Livros Encantos

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  5. Olá! Gostei muito da premissa do livro e da sua resenha! Parece ser uma história bem envolvente e romântica, vou colocar na minha meta - espero que consiga ler mesmo em 2018! rsrs
    Bjos
    Lucy - Por essas páginas

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  6. Olá, muito boa sua resenha. Esse livro tem uma capa linda e uma premissa super interessante. Não deve mesmo ser fácil não poder criar raízes, não poder se apegar, ver todos aqueles que você ama partindo.

    petalasdeliberdade.blogspot.com

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  7. Ooi,
    Sempre me interessei por essa capa e sua resenha me fez ficar mais curiosa ainda com o livro! As reflexões que você mencionou são uma das coisas que eu mais adoro! Amor, tempo, esse livro parece ter tudo o que eu gosto! Coloquei ele na lista.

    Corujas de Biblioteca

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  8. Oi, Pollyanna!
    A premissa desse livro é muito interessante, viver tantos séculos assim e estar em uma sociedade que impóe tantas regras parece um desafio e tanto já - e ainda incrementar com amor e a tentativa de viver plenamente... é a mistura para um plot de respeito. Sua resenha me deixou bastante interessada na trama e vou marcar na minha listinha pra esse ano (que já está maior do que eu pretendia haha)
    Beijo!

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  9. Olá!
    Estou com altas expectativas pra ler esse livro. Comprei o ebook esses dias e quero ler ainda esse mês. A mensagem parece de uma sensibilidade tocante.
    Espero me apaixonar por essa trama.
    Beijos!

    Camila de Moraes.

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  10. Oii, tudo bem?
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas fico feliz de que tenha sido uma boa leitura e que tenha te passado uma mensagem tão legal. Espero ter a oportunidade de ler o livro em breve.

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  11. Olá!

    Eu li recentemente uma resenha desse livro e, se bem me lembro, havia dito que amo tramas que contenha esse tema abordado. Assim como a resenha anterior, a sua só veio contribuir com minha vontade de ler esse livro. Gostei muito das suas impressões a respeito da leitura, obrigada pela dica!

    Ingrid Cristina
    Blog Catarse Literária

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  12. Olá! Não conhecia esse livro! Fiquei em intrigada com essa premissa e seus elogios. Ainda mais se tratando de um protagonista homem, quase não leio livros narrados por homens, adorei a indicação. Anotado!
    beijos

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  13. Oi!

    Que capa bonita!
    Eu adoro histórias que vão e vem, ou seja, vão para o passado/futuro e presente. Então só por isso a história já me gerou uma curiosidade. Que bom que foi envolvente, acredito que seja uma obra que eu quero conferir e degustar.

    Parabéns pela resenha.

    beijos!

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  14. Oiee ^^
    Hoje mesmo eu tinha lido uma resenha desse livro, mas não tinha entendido direito sobre o que se tratava. Lendo a sua agora, minha curiosidade aumentou. É bem diferente de tudo o que eu já li, e pela maneira como falou do livro, imagino que vou gostar bastante da história. A capa é linda, por sinal <3
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br/2018/01/lancamentos-de-janeiro-editora-arqueiro.html

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  15. Acho esse caderno que fio de brinde tão fofo! Deve ser triste ver pessoas que você ama morrendo e você ficando, por um lado deve ser doido ver a história do mundo correndo aos seus olhos enquanto você sabe que sempre vai ser sempre um telespectador. A editora acertou em cheio com esse lançamento.

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  16. Oi.

    Eu já tinha visto essa capa, mas não deu muita bola para o livro. Essa é a primeira vez que leio uma resenha desse livro e ele ate parece ter uma narrativa interessante. Acho que vale a pena dar uma chance ao livro.

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  17. Esse livro parece ser maravilhoso. Gostei muito do enredo dele e admito que já tenho pena do Tom...rs. Acho deve ser muito triste passar pelo o que ele passa. Imagina, ver a pessoa que vc ama morrer e você ainda permanece vivo e não envelhecer? Nossa deve ser bizarro.

    Anotei ele aqui no meu Skoob para os meus desejados.

    Beijos

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  18. Fiquei com tanta vontade de ler esse livro quando vi esse lançamento!
    Pela sua resenha deu pra perceber que é uma história incrível, eu adoro histórias que tocam em temas como viver eternamente e suas consequências, com certeza esse livro trás uma história bem trabalhada nessa temática, que faz o leitor pensar em cada entrelinha da história.
    Está nos meus desejados!

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  19. Olá Polly,
    Eu estou tão feliz com sua resenha. Já li esse livro e foi uma das melhores leituras do ano passado. Eu me encantei completamente com Tom, compadeci de seu sofrimento e aprendi muito com ele, principalmente, que viver eternamente pode não ser tão maravilhoso como parece.
    Adorei a resenha e as fotos!
    Beijos

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