Resenha #200: Vox


Título: Vox
AutoraChristina Dalcher
Editora: Arqueiro
Nº de Páginas: 320
Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.
O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS
O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.
Olá pessoal, tudo bom com vocês? Hoje a resenha é de um livro de um gênero tanto quanto diferente daqueles que vocês estão acostumados a ver aqui no blog! Hoje vou falar um pouco sobre a distopia VOX, lançamento da Editora Arqueiro que me deixou extremamente impactada! Bora saber mais sobre ele?

“A única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada”.
Imagine uma sociedade distópica onde após um golpe do governo as mulheres perdem praticamente todos os seus direitos, incluindo o direito parcial a fala. São colocados contadores em seus pulsos e estas têm direito a proferir apenas cem palavras por dia. Caso ultrapassem este limite, elas sofrem as consequências por sua desobediência.

“Eu poderia responder o que eles querem saber: agora só há homens na frente das salas de aula. Sistemas de mão única: professores falam, alunas ouvem. Isso me custaria dezoito palavras.
Mas só tenho cinco”.

É nesta realidade em que Jean vive com sua família. Antigamente a mulher era uma Linguista Cognitiva renomada e agora é obrigada a atuar como dona de casa em tempo integral e mal se comunicar. Preocupada com a filha que está crescendo em um meio tão opressor e com os filhos homens, principalmente com o mais velho Steven, que vêm sendo educados para se tornarem a imagem e semelhança dos homens opressores que estão dominando a sociedade, Jean vive a espera de uma grande mudança para todo aquele caos.
Tento me convencer de que não é minha culpa. Eu não votei no Myres. Na verdade, eu não fui votar.
No entanto, o que ela sequer esperava era que uma chance de mudar sua atual realidade cairia em suas mãos, dando a ela a oportunidade de lutar por sua voz. No entanto, até onde ela é capaz de ir para mudar sua atual situação? Seria ela capaz de começar uma revolução contra o sistema?
Quando me deparei com a sinopse dessa distopia eu confesso que achei tudo extremamente bizarro. Como assim um governo dá um golpe de tamanha magnitude e ninguém se revolta, reage? Bastou começar a ler este livro para perceber o quão tênue é a linha de nossos direitos e como pequenas omissões podem mudar todo o rumo de nossa história.

A semelhança com a realidade assusta, me deixou aflita e apreensiva durante a leitura. Vários discursos que acompanhamos na política atual estão ali, estampados nas páginas de uma distopia à primeira vista tão distante, mas que acabamos por perceber que talvez esteja mais próxima que se imagina.

Os discursos fanático religiosos disfarçados por uma vontade de se resgatar a religião e o que a mesma prega, a perseguição das minorias e o fortalecimento do patriarcado. Tudo isso começa a triunfar e modificar uma sociedade. Como isso acontece? Quando nos omitimos.

Pequenos detalhes são notados, mas são tão pequenos que nada é feito para pará-los. Discursos que parecem loucura em um primeiro momento começar a ser incutidos na cabeça dos jovens e dos homens adultos, que começam uma mudança onde as minorias são silenciadas uma a uma, até que não sobra mais ninguém capaz de lutar pelos direitos retirados.
Essas e várias outras questões são abordadas de uma forma dura, impactante, através de um enredo fluido, muito bem construído e com personagens que se assemelham ao real.

É extremamente angustiante ver como Jean se sente acuada por toda uma sociedade e pelos próprios homens de sua família, que não veem problema algum na forma como ela e sua filha mais nova são tratadas pelo governo, como alguém inferior e indigna de fala e vida livre.

“Estive afastando Steven do pensamento durante todo o dia, e agora a tristeza é desarrolhada e derrama em mim. Houve muitas vezes em que eu quis culpa-lo, mas não posso. Os monstros não nascem assim, nunca. Eles são feitos, pedaço por pedaço e membro por membro, criações artificias de loucos que, como o equivocado Dr. Frankenstein, sempre acham que sabem mais”.

A história apresenta tudo a seu tempo. Faz-nos sentir a dor e a angústia das mulheres daquela sociedade e aos poucos, vai mostrando que nem tudo é como parece e que nós mulheres não podemos ser controladas por muito tempo.

As reviravoltas e os segredos vão sendo revelados no tempo certo, nos fisgando por completo e fazendo com que ansiemos por mais. Eu uma leitora que não é fisgada tão facilmente por distopias, só consegui largar este livro quando finalizei a leitura, então imaginem só o poder de nos prender que este livro possui.

Como já disse anteriormente, a história em si é muito bem estruturada. O enredo e seu desenvolvido foi praticamente perfeito para mim, com exceção do final, que achei um pouco corrido demais. Talvez tenha sido essa a intenção da autora, uma vez que tudo acontece de fato rápido demais no deslinde da história, no entanto, um livro tão bem escrito e tão importante merecia um final mais trabalhado a meu ver.

Não foi um desfecho ruim, não me entendam mal. Ele cumpre o que promete. Eu é que esperava algo bem além das minhas expectativas.
“_ A culpa não é sua.
Mas é. E minha culpa não começou quando assinei o contrato (...). Minha culpa começou há duas décadas, na primeira vez em que não votei, nas vezes incontáveis em que disse a Jackie que estava ocupada demais para ir a uma das suas passeatas, fazer cartazes ou ligar para meus congressistas”.

Enfim! Este é um livro repleto de críticas sociais, onde podemos vislumbrar as consequências de nossas omissões ante o que está errado. Nos mostra a importância de nosso posicionamento e de nossa voz, seja na política, na sociedade ou até mesmo em meio às pessoas que amamos, mesmo quando somos uma minoria.

Vox deixa clara a necessidade de lutarmos pelos direitos de todos, sem exceção, ainda que não sejam nossos próprios direitos, afinal, se fecharmos os olhos para as necessidades do outro, uma hora alguém fará o mesmo conosco e vai por mim, as consequências são desastrosas.

Além de todas as temáticas já citadas, o livro aborda temáticas como feminismo, passando de uma forma rápida pelo feminismo negro, da necessidade de sororidade, abordando também temas como intolerância, fanatismo religioso, patriarcado, machismo e sobre a importância do voto consciente, de exercermos nossa cidadania da forma mais presente possível, para inibir qualquer tipo de golpe ou opressão.

Esta foi uma leitura que me marcou muito e por isso a recomendo hoje a todos vocês! Espero que tenham gostado da indicação de hoje e que deem uma oportunidade para este livro, que é uma leitura mais que necessária, em minha opinião. Não deixem de comentar, ok? Beijos e até o próximo post!

14 comentários:

  1. Eu fico passada o quanto alguns livros distópicos tem a possibilidade grande de acontecer atualmente, ainda mais com o mundo caminhando do jeito q está.
    vou ver se leio esse livro em breve, espero que o final corrido não me incomode.
    http://www.seguindoocoelhobrancoo.com.br/

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  2. Olá!
    Assim como você, também não tenho o hábito de ler distopias, mas ultimamente é um gênero pelo qual começo a ter interesse. Penso que talvez devido a situação complicada em que se encontra nosso país, é mais fácil nos sentirmos atraídas por esse gênero agora. Vi algumas resenhas sobre esse livro e tenho muita vontade de lê-lo. Entre as resenhas que eu li, a sua foi a única que mencionou os outros temas importantes que o livro aborda além da perda dos direitos das mulheres. Vejo que ele parece ter várias discussões indispensáveis para nossa sociedade e gostei muito. Ótima dica! Beijos!

    Jéssica Martins
    castelodoimaginario.blogspot.com

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  3. Que bom saber de todos esses pontos positivos. Esse é um livro que eu quero ler desde que lançou.. Eu adoro distopias em geral, mas a premissa dessa obra nos dias de hoje me parece ainda mais impactante. Não vejo a hora de poder ler.
    beijos

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  4. Desde que vi a capa desse livro passando pela minha timeline pela primeira vez me interessei! Parece uma distopia não muito longe da realidade que vivemos e parece bem chocante perceber isso. Embora tenha falado que o final pode não corresponder às expectativas, é uma pauta muito importante que sempre deve ser discutida.

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  5. Ainda que empoderamento não seja um assunto preferido eu gostei da premissa desse livro e da resenha.
    Parabéns.

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  6. Ei! Este livro está na minha lista de desejos desde o lançamento! todo mundo menciona a semelhança com o Conto da aia, e ainda bem que não li o liro nem vi a série ainda, porque não corro o risco de me decepcionar e nem comparar os dois. Acho a premissa maravilhosa e o assunto, ainda que 'fantasioso' é atual demais e super importante para ser discutido, divulgado e propagado. Todos tem que ter voz, todos tem que ter direito de fala. Amei a resenha!

    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  7. Oi!
    Já ouvi falar desse livro, ainda não li mas já está na minha lista de leituras, pois achei empolgante o enredo essas adversidades da sociedade machista, a luta diária de uma mãe pelo seus direitos como mulher e sua preocupação com sua filha em viver em constante silêncio. Parabéns pela resenha me deu um parâmetro do que esperar da história e fiquei muito curiosa para saber o desenrolar do enredo, bjs!

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  8. Até que enfim li uma resenha desse livro, eu estava sempre vendo ele nas redes sociais, mas a vida está tão corrida que nem pesquisei nada sobre a história dele. Muito interessante essa Distopia, gostei demais de conferir suas impressões e com certeza pretendo ler assim que for possível. Amei as fotos, o texto e sua crítica. Beijos

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  9. Essas obras que nos fazem pensar sobre nossa realidade sempre pesam demais né? Fico impressionada com isso, de verdade. Esse é um livro que venho namorando faz um bom tempo.

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  10. Olá, tudo bem? Sua resenha só endossa a quantidade de elogios que sempre ouço sobre o livro, e o qual tenho grandes curiosidades. Soube que ele não é volume único né?! Por isso vou esperar o lançamento dos outros para poder ler. O final decepcionante deve ser por conta disso, desta questão de ter próximos. Espero gostar muito também e sentir esse forte teor político com a atualidade. Adorei!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com.br

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  11. Olá, tudo bem?

    Eu solicitei esse livro na Arqueiro e adorei a leitura, é um baita livro, sem contar que é super reflexivo. Gosto muito de distopias e esse representa bem. Gostei de conferir suas impressões e parabéns pela resenha, ficou bem legal e caprichada.
    Abraço!

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  12. Achei bastante intrigante esse enredo e assim como você, parece realmente um tanto quanto absurdo, mas ao mesmo tempo compreendo o quanto combina com nossa realidade. Uma trama como essa eu costumo assistir em filmes e como livro, com certeza fiquei com vontade de ler. Beijos

    Nara Dias
    Viagens de Papel

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  13. Acho a premissa deste livro assustadora demais e ao mesmo tempo, muito empolgante porque como você deixou claro na resenha, é o tipo de livro que nos convida a lutar por justiça em todos os campos, não só nos que nos são íntimos. Quero ler!!!
    Beijos

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  14. Eii ola!!

    Eu estou ha muito tenpo sem ler distopias, mas esse livro entrou na minba lista desde o seu lançamento por conta dessa ceitica social e da semelhança com a atualidade.

    Adorei a sua resenha, bem completa e extremamente explicativa. Parabéns!!

    Beijos

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