Resenha #234: O ceifador


Título: O ceifador
AutoraNeil Shusterman
Editora: Seguinte (Companhia das Letras)
Nº de Páginas: 448
Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade.
Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.
Olá pessoal, tudo bom com vocês? Hoje vamos conversar um pouquinho sobre uma distopia que ganhou a blogosfera no ano retrasado, com a qual eu fui bem reticente. Achei que seria apenas mais uma entre a onda de distopias que vinha surgindo, no entanto, posso adiantar que estava bem enganada! Que tal conferir minhas impressões de leitura de O Ceifador, do autor Neil Shusterman
O que mais desejo para a humanidade não é a paz, o consolo ou a alegria. É que ainda morramos um pouco por dentro toda vez que testemunharmos a morte de outra pessoa. Pois só a dor da empatia nos mantém humanos. Nenhum Deus vai poder nos ajudar se algum dia perdermos isso.
Pense em uma sociedade onde a morte, as doenças e a fome foram superadas. Não existem mais guerras, não existe mais miséria. O mundo se tornou algo totalmente utópico, com o qual todos sempre sonharam. Até a velhice vem sendo controlada através de procedimentos. Todos seriam imortais, se não fosse o fato de a terra não comportar toda a população durante toda a eternidade.

Para realizar o controle populacional são criados os ceifadores. Eles decidem quem serão as almas a serem coletadas, ou seja, quem deixará de existir. Eles são investidos de seus poderes após um treinamento e devem seguir regras para que possam realizar suas coletas.

Assim como a população de outrora tivera medo da morte, a população deste mundo tem medo da ceifa. Ninguém quer deixar de existir em um mundo aparentemente perfeito.

É neste contexto que conhecemos Citra e Rowan. Ela se vê em contato com um ceifador quando este vai realizar a coleta de sua vizinha. Ao contrário da maioria da população, ela não se dá ao trabalho de bajular o ceifador, muito pelo contrário.

Rowan é um rapaz que se depara com um ceifador quando está chegando em sua escola. Ele o acompanha até o local onde precisa ir e acaba tendo uma atitude honrada na hora da coleta que também chama a atenção do ceifador Faraday, assim como aconteceu com Citra.

O ceifador decide então transformá-los em seus aprendizes e aquele que for escolhido passará a exercer a profissão.

No entanto, o que começa como uma escolha pode se tornar uma disputa mortal entre os dois, nos rendendo uma história emocionante, envolvente e surpreendente.
Quando iniciei essa leitura sequer imaginei o quanto este livro me envolveria e me faria refletir. Para mim seria mais uma dessas leituras que entretém, mas que não ficam sabe? Não sabem o quanto fico feliz de dizer que estava errada!

O primeiro ponto que chamou minha atenção de forma positiva nesta história foi a criação do mundo distópico (ou utópico, ainda não me decidi ainda). A forma como nos é mostrado como esta nova realidade foi criada e como apesar de toda essa tecnologia controlada por um órgão central – a Nimbo-Cúmulo – ainda existia um órgão separado no qual não se poderia intervir – a ceifa. A mesma é autônoma e soberana em suas decisões.

E é claro, que algo assim faz com que o poder suba a cabeça. Alguns ceifadores deixam que a gana pelo poder os controle e, de certa forma, é essa ganância que desencadeia muitos dos conflitos gerados neste livro.

Outro ponto que amei foi a construção dos personagens. Aqui temos personagens com múltiplas facetas, onde vemos cada um deles viverem seus dilemas e se mostrando extremamente humanos. Todos eles têm seus momentos de bravura, de egoísmo, de medo... resumindo, os personagens se assemelham muito ao real e eu simplesmente amei isso.

Além dessa criação muito bem feita e coerente, aqui temos uma grande evolução pessoal de cada um. A sensação que tive é que cada experiência vivida realmente os modificou de uma forma muito única, como de fato acontece com o ser humano, não é verdade? Nós somos sim o resultado de nossas vivências e ver isso de uma forma tão clara e tão coerente no livro só o deixa melhor.

Acho que vale destacar que temáticas como a morte, a perda, a religiosidade e o amor são abordadas de uma forma muito interessante ao decorrer do enredo, fazendo-nos refletir sobre cada um dos pontos que estamos lendo, de uma forma muito ímpar.

Enfim! Se você está procurando uma distopia repleta de aventura, com personagens extremamente bem construídos e que trás reflexões muito pertinentes, eis aqui o seu livro! Tenho certeza que vocês acabarão tão envolvidos com a história quanto eu. Quanto a mim? Mal posso esperar para ler o segundo e o terceiro livro!

6 comentários:

  1. Olá...
    Desde que a editora lançou esse livro eu tenho um desejo enorme de o ler, porém, até hoje não apareceu uma oportunidade, o que é uma pena, pois, pelo que você mostrou na resenha parece ser uma leitura sensacional!
    Adorei saber que o livro também faz refletir...
    Bjo

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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  2. Olá, tudo bem?

    Eu particularmente gosto dos livros do Neal Shusterman, mas ainda não li essa série e tenho muita vontade de ler "O Ceifador". Gostei da sua resenha, ficou bem caprichada. Parece ser uma leitura incrível!
    Abraço!

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  3. Olá! Normalmente não sou de ler livros desse estilo, mas adorei a sua resenha e achei bem interessante a forma como tudo se desenvolve, apesar de se tratar de uma distopia (gênero que leio muito raramente). Como trata também da evolução humana e de temas como morte e a religiosidade, com muita aventura e disputas de morte, fiquei ainda mais interessada em ler. Vou incluir em minha lista. Beijos! Karla Samira

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  4. Oi, tudo bem? Gosto muito de distopia ainda mais quando traz tantos temas que nos permite refletir como os mencionados no decorrer da história. Acredito que em qualquer cultura falar sobre a morte é algo doloroso e exige cuidado e delicadeza. Mais ainda quando são pessoas que já perderam alguém. Achei a premissa bem interessante não conhecia o livro. Um abraço, Érika =^.^=

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  5. Já conhecia o livro e definitivamente é meu tipo de história, o ambiente distópico é sempre atrativo pra mim, esse "controle" estabelecido pelos ceifadores parece útil mas ao mesmo tempo cruel visto q qualquer um pode ser o próximo, dica anotadíssima!!!

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  6. Oi!
    Parece ser uma distopia emocionante, não conhecia esse livro, mas pelo jeito tem continuação. Parabéns pela resenha, estou curiosa saber mais dos personagens, e em como um ceifador irá transformá-los em aprendizes e em como irão se comportar diante disso, obrigado pela dica. Bjs!

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