Resenha #147: Lady Whistledown Contra-Ataca

Título: Lady Whistledown Contra-Ataca
AutorJulia Quinn
Editora: Arqueiro
Nº de Páginas: 352


Com a participação especial da famosa cronista da sociedade criada por Julia Quinn, Lady Whistledown Contra-Ataca é formado pelas narrativas curtas de quatro escritoras consagradas, tendo como fio condutor o roubo de uma pulseira milionária. Seus contos são como pérolas que se unem e formam uma peça de valor inestimável. 
Quem roubou o bracelete de lady Neeley?
Terá sido o caça-dotes? O apostador? A criada? Ou o libertino? Londres está fervendo com as especulações, mas, se ainda restam muitas dúvidas, pelo menos uma coisa é certa: um desses quatro está envolvido no crime.
Crônicas da sociedade de lady Whistledown, maio de 1816
Julia Quinn encanta...
Um belo caçador de fortunas foi enfeitiçado pela debutante mais desejada da temporada. Agora ele precisa provar que o que deseja é o coração da jovem, não o dote dela. 
Mia Ryan delicia...
Uma criada adorável e espirituosa está deslumbrada com as atenções românticas que tem recebido de um charmoso conde. Mas um relacionamento entre eles seria escandaloso e poderia arruinar a reputação dos dois.
Suzanne Enoch fascina...
Uma jovem inocente que passou a vida evitando escândalos de repente se vê secretamente cortejada pelo maior libertino de Londres.
Karen Hawkins seduz...
Um visconde que vaga sem destino volta para casa para reacender o fogo da paixão de seu casamento, mas descobre que sua linda e decidida esposa não será conquistada tão facilmente.

Olá pessoal, tudo bom com vocês? Sei que ando meio sumida aqui do blog, mas para compensar venho com uma ótima indicação para vocês! O livro da vez é bem diferente! É um compilado de contos de romance de época, que se entrelaçam através de uma personagem e um acontecimento. Vamos falar um pouco sobre Lady Whistledown Contra-Ataca?


Quem roubou o bracelete de Lady Neeley?
Teria sido o caça dotes? O apostador? A criada? Ou o libertino? Londres está fervendo com as especulações, mas, se ainda restam muitas dúvidas, pelo menos uma coisa é certa: um desses quatro está envolvido no crime.

Se você já leu os livros da Julia Quinn, você já sabe que Lady W. é a maior Gossip Girl vitoriana que você respeita, certo? Rs A fofoqueira de época anônima nos conquista com sua língua afiada e com os comentários mais divertidos sobre a sociedade inglesa e seus membros.

Neste livro temos o gostinho de reencontrar suas Crônicas da sociedade, através do olhar de quatro autoras diferentes: Julia Quinn, sua criadora, Suzanne Enoch, Karen Hawkins e Mia Ryan.

Acompanhamos as quatro autoras construindo enredos com personagens diferentes, que acabam interligados pelo roubo do bracelete de Lady Neeley, uma aristocrata meio pirada que dá festas fantásticas.


Aqui, além de reencontrar a escrita da Julia, que é uma das minhas autoras favoritas, ainda tive o prazer de conhecer a escrita das outras três autoras, cada uma com sua proposta e pensamento.

No conto de Julia "O primeiro Beijo", temos a debutante mais desejada da temporada e um caçador de fortunas que está apaixonado por ela, e terá o trabalho de provar que deseja o coração da moça, e não tudo o que os pais ofereceram.

No conto de Mia,"A última tentação", temos uma criada adorável, carismática e especialista em organizar festas, se encantando com um charmoso Conde que também está enfeitiçado pela moça.

Na história de Suzanne, "O melhor dos dois mundos", temos uma jovem que foi criada para evitar escândalos e nobres escandalosos e se vê sendo cortejada pelo maior libertino de Londres, que é por si só confusão e escândalo em forma de cavalheiro. 

Por último, no enredo de Karen"O único para mim", temos um nobre que abandonou sua esposa anos atrás tentando reconquistá-la. Mas aquela mulher forte, decidida e extremamente bonita não vai facilitar em nada seu trabalho. Antes de reconquistar seu coração ele terá um grande trabalho tentando retomar sua confiança.


Confesso a vocês que nunca tinha lido um livro de contos envolvendo romances de época. Já havia conferido o compilado dos Bridgertons, mas lá todos os personagens e enredos já eram conhecidos. Além disso, tratava-se de segundos epílogos. Imaginem qual foi minha surpresa ao descobrir que amei acompanhar histórias mais curtas desse gênero!

Todas as autoras souberam construir contos muito fluidos, divertidos e com personagens cativantes. Claro que acabei gostando mais de alguns que de outros, nada mais natural! Rs Desse livro, destaco os contos da Julia Quinn, que foi extremamente fofo e encantador e claro, o meu favorito: “O único para mim”, da Karen Hawkins. Foi de longe o mais completo e delicado desse livro e sinceramente?! Fiquei louca para ler outros livros da autora! (fica a dica, editoras! rs)

Enfim! Este livro é uma ótima pedida para as amantes de romance de época que procuram conhecer novas autoras ou enredos apaixonantes e curtinhos para ler quando não se tem tanto tempo para livros regulares ou de séries. Venha matar a saudade de Lady W., se divertir com essa leitura e se encantar com esses romances ora fofos, ora intensos e em sua totalidade apaixonantes.

Não deixem de comentar ok? Beijos e até o próximo post!


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Sorteio: Natal Literário ♥

O Natal Literário de 2016 foi um sucesso, sendo assim, resolvemos repetir a dose! Só que dessa vez o sorteio está ainda mais lindo e recheado, pois agora contamos com mais de 30 parceiros que contribuíram com muito carinho para fazer com que o Natal de vocês seja ainda mais feliz! São cinco SUPER kits tão lindos que chega a manteiga derrete!

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Resenha #146: As coisas que fazemos por amor

Título: As coisas que fazemos por amor
AutorKristin Hannah
Editora: Arqueiro
Nº de Páginas: 352


Caçula de três irmãs, Angela DeSaria já tinha traçado sua vida desde pequena: escola, faculdade, casamento, maternidade. Porém, depois de anos tentando engravidar, o relacionamento com o marido não resistiu, soterrado pelo peso dos sonhos não realizados.
Após o divórcio, Angie volta a morar na sua cidade natal e retorna ao seio da família carinhosa e meio doida. Em West End, onde a vida vai e vem ao sabor das marés, ela conhece a garota que mudará a sua vida para sempre.
Lauren Ribido é uma adolescente estudiosa, bem-educada e trabalhadora. Apesar de morar em uma das áreas mais decadentes da cidade com a mãe alcoólatra e negligente, a menina sonha cursar uma boa faculdade e ter um futuro melhor.
Desde o primeiro momento, Angie enxerga em Lauren algo especial e, rapidamente, uma forte conexão se forma: uma mulher que deseja um filho, uma menina que anseia pelo amor materno. Porém, nada poderia preparar as duas para a repercussão do relacionamento delas. Numa reviravolta dramática, Angie e Lauren serão testadas de forma extrema e, juntas, embarcarão em uma jornada tocante em busca do verdadeiro significado de família.

Olá pessoal, tudo bom com vocês? Hoje venho falar sobre o livro “As coisas que fazemos por amor”, da autora Kristin Hannah. Este foi lançado recentemente no Brasil e tem conquistado muitos leitores com sua delicadeza. Que tal saber um pouco sobre ele?


Deus já deu uma resposta às suas preces, Angela. Não é a resposta que desejava, por isso você não escutou. Chegou a hora de ouvir.

Neste livro conhecemos a família DeSaria, com foco em Angela, a caçula de três irmãs que planejou sua vida com uma carreira de sucesso, um casamento por amor e a realização do sonho de ser mãe. Acontece que, após o casamento, Angela simplesmente não consegue engravidar, mesmo tentando todos os métodos possíveis. O sonho não realizado acaba gerando uma grande pressão no casamento que não resiste.

Angie queria que o amor dele tivesse sido suficiente. Deveria ter sido. Mas a necessidade dela de ter um filho fora como uma correnteza, uma força avassaladora que os afogara. Talvez um ano antes ela tivesse conseguido nadar até a superfície. Mas agora não.

Após o divórcio, vendo sua vida virar ao avesso, Angie volta a morar em sua cidade natal, retornando ao seio de sua família e focada em recuperar o restaurante da família. 

Angie sorriu. Passara tantos momentos naquela cozinha, com aquelas três mulheres. Não importava quantos anos vivesse ou que direções a vida tomasse, aquele sempre seria seu lar: a cozinha da mama, onde se sentia segura, acolhida e amada.

Tentando se curar das diversas reviravoltas que sua vida deu, ela acaba conhecendo uma garota que mudará o rumo de sua vida.

A vida continua. Não perca seu tempo olhando para trás. Senão vai acabar deixando de notar o que está à frente.

Lauren é uma adolescente estudiosa, focada, trabalhadora e bem educada, que apesar da situação financeira difícil e do alcoolismo da mãe, sonha em cursar uma boa faculdade e assim construir um futuro melhor para si.

O destino das duas acaba se cruzando, surgindo assim uma conexão entre as duas. Acompanhamos o relacionamento entre uma mulher que sonha em ser mãe e uma menina que sonha com o amor materno. Junto de duas pessoas tão distintas, veremos um enredo baseado em amor, perdão, cura, segundas chances, que nos emociona e nos faz refletir sobre o verdadeiro significado de família.

Comecei a recordas as coisas boas. Percebi que meu pai tinha razão quando dizia: Isso também vai passar. A vida dá um jeito de seguir em frente, e a gente faz o melhor que pode para acompanhar o fluxo. O coração partido se cura. Como qualquer ferimento, fica uma cicatriz, uma lembrança, porém esmaecida. De repente você percebe que passou uma hora sem pensar a respeito, depois um dia.


Kristin Hannah me ganhou novamente em seu novo livro. Sei que esta frase já está batida nas resenhas que faço sobre as obras da autora, mas não podia começar de maneira diferente.

Para quem nunca leu nada de Kristin, saiba que a autora pega temas cotidianos reais e os transforma em algo delicado, envolvente. Ela “põe o dedo na ferida” de uma forma tão singela que faz com que o leitor se encante, reflita, se emocione, mas nada de forma maçante, muito pelo contrário. É o tipo de obra que te enche de sentimentos bons no final, que ensinam, inspiram e cativam.

Com esta obra não foi diferente. Em meio a personagens bem construídos, repletos de qualidades e defeitos, vemos uma história que se assemelha tanto ao real, que poderia ter acontecido com você, com um vizinho ou até mesmo com um amigo próximo, criando uma proximidade entre enredo, personagens e leitor.

Neste livro em especial temos a abordagem de relações familiares, do alcoolismo, dos dilemas da adolescência, de casamentos rompidos não por falta de amor, mas, por um não saber lidar com as frustrações do outro, de gravidez e da ausência da mesma. Aprendemos sobre perdão do outro e de si próprio, sobre o verdadeiro significado de família e sobre o amor em sua essência e pureza.

É através da história de Angela e Lauren e todos que se encontram a sua volta que conhecemos esse romance inspirador. É impossível acompanhar Angie e não sentir empatia pela mesma, compartilhar de suas frustrações e torcer para que ela consiga se curar e ser feliz novamente. É uma pessoa boa em sua essência, que acabou se perdendo ao se focar mais no que deixou de ter do que construiu e conquistou de fato. Ver ela se redescobrindo e se reinventando é incrível.

Lauren é uma garota que mesmo com o histórico familiar que tem, não deixa de acreditar que pode ser alguém melhor, não sendo limitada pelo meio em que vive.

Quanto aos demais personagens, todos são muito bem construídos, tendo um papel fundamental na história. Ninguém aparece nesta história por acaso e isso é simplesmente fantástico.

Enfim! Esta foi uma leitura que me cativou muito e que simplesmente amei, por isso deixo a recomendação a todos vocês. Tenho certeza que vão se apaixonar e refletir muito com esta história. Beijos e até o próximo post!


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Resenha #145: Romance entre rendas

Título: Romance entre rendas
AutorLoretta Chase
Editora: Arqueiro
Nº de Páginas: 315


Que lady Clara Fairfax é dona de uma beleza estonteante, Londres inteira já sabe. Mas a fila de pretendentes que bate à porta de sua casa com propostas de casamento já está irritando a jovem.
Cansada de ser vista apenas como um ornamento, Clara decide afastar-se um pouco da alta sociedade e se dedicar à caridade. Um dia, numa visita a uma obra social, ela depara com uma garota em perigo e pede ajuda ao alto, sombrio e enervante advogado Oliver Radford.
Radford sempre foi avesso à nobreza, mas, para sua surpresa, pode vir a se tornar o próximo duque de Malvern. Embora queira manter sua relação com Clara no campo estritamente profissional, aos poucos ele percebe que ela, além de linda, é inteligente, sensível e corajosa.
E quando a perspectiva de casamento se aproxima, tudo o que Radford pode fazer é tentar não perder a cabeça por Clara. Será que a herdeira mais adorada da sociedade e o solteiro menos acessível de Londres serão vítimas de seus próprios desejos?
Em Romance entre rendas, livro que encerra a série As Modistas, Loretta Chase nos brinda com uma história envolvente e cheia de paixão, com personagens fortes e marcantes.

Olá pessoal, tudo bom com vocês? Na resenha de hoje venho falar sobre o último exemplar da série As modistas, da autora Loretta Chase: Romance entre rendas. Se você acompanha o blog, sabe que acabei me decepcionando com o terceiro livro dessa série e por isso estava bem apreensiva em relação a este. Que tal saber o que achei da leitura?


Neste livro teremos a história de Clara Fairfax, uma das moças solteiras mais bonitas de Londres. Ser tão bela faz com que diversos pretendentes queiram desposá-la, visando tê-la como uma bela esposa troféu para exibir perante toda a sociedade.

Hoje foi a vez de lorde Herringstone. Ele disse que a amava. Todos diziam a mesma coisa, com diferentes graus de fervor. Mas, como era uma moça inteligente que lia mais que devia, Clara tinha certeza de que ele, como os outros, queria apenas reivindicar para si a garota mais elegante de Londres.

Isso seria o sonho para qualquer moça da sociedade, exceto da própria Clara, que deseja um noivo que a valorize pelo que é. Não basta alguém que lhe admire por sua aparência. Ela quer alguém que realmente queira conhece-la, que admire sua inteligência e coragem.

Mas eles não tinham ideia de quem ela era e não estavam interessados em descobrir.

Um dia, em visita a uma obra social ela acaba vendo uma garota em perigo e acaba pedindo ajuda ao advogado Oliver Radford, mais conhecido como Corvo.

Mesmo assim, ele tinha sempre o referido nariz metido em um livro, e alguém dizia que o jovem Radford parecia "um corvo cutucando as entranhas de uma carcaça". O primo não mencionou que os corvos eram extremamente inteligentes. Essa era uma das razões pelas quais ele preferia os livros aos colegas de escola.

O homem é dono de uma inteligência ímpar – o que faz com que a sociedade o ache irritante,  às vezes – e acaba se envolvendo com Clara para tentar resgatar um garoto que está envolvido com uma gangue. O que ele não imaginava era descobrir que além de linda, a moça era inteligente, cabeça dura, corajosa e bondosa.

Ambos começam a se ver cada vez mais enredados por sentimentos, nos rendendo uma deliciosa e divertida história de amor, envolvendo a solteira mais cobiçada de Londres e o Solteiro menos acessível e propenso ao matrimônio.


Desde o momento que conheci Clara no primeiro livro dessa série, fiquei curiosa para ler seu livro, ou melhor, para conhecer o seu “felizes para sempre”. A personagem de coração enorme, a frente de seu tempo e insatisfeita com sua vida nobre teria sua história contada no último livro da série e eu mal podia esperar para conhecê-la.

Quando comecei a ler sem expectativas devido ao livro anterior, me vi surpreendida logo nas primeiras páginas, quando nos deparamos com o Corvo Oliver. Este é um personagem extremamente perspicaz e inteligente, e toda essa inteligência é usada nos tribunais, nos mais difíceis casos. Sim, ao contrário do esperado para o par perfeito de Clara, não se trata de um nobre e sim de um advogado. Só por aí já sabia que o livro me ganharia.

Quando colocados juntos foi inegável a química existente entre os dois. Ambos os personagens são muito inteligentes e não medem esforços para terem o que querem, e neste caso é uma verdadeiro cabo de guerra, pois sempre que um quer uma coisa, o  outro quer o oposto. Entretanto, o querer que existe entre os dois é mútuo e é lindo ver como o sentimento cresce e como vão se encantando pelas qualidades e defeitos um do outro.

A história dos dois tem momentos de ação, engraçados, fofos, tensos e tenros, que vão nos encantando e fazendo com que torçamos para que se acertem e fiquem logo juntos.

O enredo é fluido, envolvente e diferente dos demais livros da série. A escrita de Loretta continua nos conquistando e fazendo com que nos apaixonemos por seus personagens.

O exemplar tem páginas amarelas, espaçamento e letras confortáveis e uma capa muito bonita. Eu particularmente acho as capas de romance de época da editora sempre lindas. Não encontrei erros de revisão ao decorrer da leitura.

E assim, com essa resenha e indicando esse livro maravilhoso para vocês, me despeço de mais uma série de romance de época amorzinho que tive oportunidade de ler e que tem um espaço especial em meu coração.

Espero que tenham gostado de saber um pouco mais sobre esse livro e de conhecer minha experiência de leitura. Não deixem de comentar, ok? Beijos e até o próximo post!


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Resenha #144: Mulher Maravilha - Sementes da Guerra

Título: Mulher Maravilha – Sementes da Guerra
AutoraLeigh Bardugo
Editora: Arqueiro
Nº de Páginas: 400


Antes de se tornar a Mulher-Maravilha, ela era apenas Diana.
Filha da deusa Hipólita, Diana deseja apenas se provar entre suas irmãs guerreiras. Mas quando a oportunidade finalmente chega, ela joga fora sua chance de glória ao quebrar uma lei das amazonas e salvar Alia Keralis, uma simples mortal.
No entanto, Alia está longe de ser uma garota comum. Ela é uma semente da guerra, descendente da infame Helena de Troia, destinada a trazer uma era de derramamento de sangue e miséria. Agora cabe a Diana salvar todos e dar seu primeiro passo como a maior heroína que o mundo já conheceu.

Olá pessoal, tudo bom com vocês? Atualmente tenho gostado muito de trazer resenha de livros que saem da minha zona de conforto. Pensando nisso, resolvi trazer a resenha de um livro que mistura fantasia e aventura, com uma mensagem de empoderamento feminino. Vamos falar de Mulher Maravilha, da autora Leigh Baldurgo?


Não podemos evitar a forma como nascemos ou o que somos. Mas podemos escolher o rumo de nossas vidas.

Diana é filha da deusa Hipólita, residente da ilha de Temiscera, um local criado pelas deusas para onde vão todas as mulheres que morrem em batalha, de forma heroica, e chamam por seus nomes em seus últimos suspiros. Ela, no entanto, não morreu em batalha como as outras, motivo pelo qual é subestimada.

Em meio a uma competição, quando tem a chance de se consagrar perante suas irmãs e ganhar seu respeito, ela abandona a prova para salvar uma mortal – Alia Keralis – quebrando assim uma das regras das Amazonas.

O que Diana sequer imaginava era que estava salvando uma Semente de Guerra, nascida da mesma linhagem de Helena de Tróia. Devido a sua linhagem, Alia causava discórdia e destruição por onde passava e a reação de sua presença na ilha não foi exceção.

Ela não carrega a própria morte, mas a do mundo. Acha que foi por acaso que aquele barco chegou tão perto de nossa costas? Alia é uma Semente da Guerra, nascida da mesma linhagem de Helena, que foi gerada por Nêmesis.

Diana tem duas escolhas: deixar a garota morrer e assim evitar a destruição de sua ilha e a eclosão de uma nova guerra ou aceitar uma missão que acabaria com a linhagem das Sementes da Guerra.

Não é justo exigir que uma pessoa viva pela metade - respondeu Diana - Não podemos viver com medo. Ou fazemos as coisas acontecerem, ou as coisas acontecem com a gente.

Querendo provar seu valor, ela aceita a missão que não permite falhas, nos rendendo uma aventura que nos prende do início ao fim.


Não sei vocês mulheres, mas nunca havia me sentido representada por um filme de heróis! A história era sempre a mesma: por mais forte que a mulher fosse, ela sempre precisava ser salva por um homem no final e isso era extremamente cansativo. Até os desenhos da Disney haviam variações dessa fórmula (como em A Bela e a Fera, Mulan, Frozen, dentre outros), mas os filmes de super heróis não. Imaginem qual foi minha surpresa quando assisti Mulher Maravilha no cinema. Ali finalmente encontrei um filme com uma heroína que me conquistou.

Quando me propus a ler este livro, estava extasiada pelo novo filme da Mulher Maravilha que havia visto há pouco. Me senti finalmente representada em um filme de herói e queria muito sentir aquele sentimento de novo ao ler este livro.

Iniciei a leitura e me deparei com uma Diana de 17 anos, que apesar de ser uma amazona, era uma adolescente que viveu durante toda sua vida em uma ilha, sem contato com os mortais. Confesso a vocês, leitores, que fiquei com um pé atrás com esse fato, mas segui lendo sem grandes expectativas.

Até que de fato Diana aceitasse a missão, achei o livro um tanto quanto morno, mas, quando a mesma embarca em sua jornada com Alia e foi para Nova York, tendo contato com um mundo, pessoas e sentimentos diferentes, comecei a me ver presa na história, ansiosa para saber como tudo aquilo iria terminar.  Foi muito legal acompanha-la em suas primeiras amizades, em suas descobertas – dentre elas a de que nem todos os mortais eram ruins – e em sua primeira paixonite.

Adorei ver uma garota imortal, se unindo a mortais para salvar o mundo. Essa união nos rendem momentos engraçados, fofos e ação, me ganhando de vez. 



Outro ponto que adorei foi uma reviravolta apresentada no fim da trama. Nunca imaginei aquele desfecho para um determinado personagem e isso foi um ponto super positivo da história. Quem não gosta de ser surpreendido em histórias de ação, não é mesmo?

Apesar de ter esperado uma história de ação mais parecida com o filme (ainda que não se pareçam em quase nada), este livro me ganhou em outros pontos e de maneiras diferentes, me fazendo ter uma leitura agradável e prazerosa, fazendo com que me apaixonasse ainda mais por essa personagem. Foi maravilhoso me sentir representada novamente em uma história de super heróis e isso o livro faz com louvor.

Os questionamentos e afirmações em relação a igualdade de gênero são presentes em diversos pontos da história, e isso é simplesmente maravilhoso! Precisamos de obras que abordem esse tema, que "toquem na ferida" para que vejamos pensamentos mudarem e, por consequência, uma nova realidade em nossa sociedade.

Quanto a narrativa, nunca tinha lido nenhuma das obras da autora e gostei muito da maneira como ela escreve, com fluidez e clareza. Esta soube inserir as reviravoltas no momento certo, bem como as cenas engraçadas e as de tensão, fazendo com que tudo se encaixasse perfeitamente, como tem que ser.

Em relação a edição, a mesma possui páginas amarelas, um tamanho de fonte e espaçamentos bons e uma arte gráfica linda. Não encontrei erros de revisão durante minha leitura.


Enfim! Esta é uma aventura divertida e envolvente que prende o leitor, ao mesmo tempo em que aborda temas como igualdade de gênero, racismo, empoderamento feminino, amizade e descoberta da própria força, nos trazendo um pouco sobre cultura grega e nos brindando com uma das maiores heroínas que representa a nós, mulheres. Leitura mais que recomendada!


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Resenha #143: Vacas

Título: Vacas
AutorDawn O’ Porter
Editora: Harper Collins
Nº de Páginas: 336


Um pedaço de carne; feito para reproduzir; além da sua data de vencimento; parte do rebanho. Mulheres não têm que se encaixar em estereótipos. Tara, Cam e Stella são estranhas vivendo suas próprias vidas da melhor forma que podem, apesar de poder ser difícil gostar do que você vê no espelho quando a sociedade grita que você devia viver de um jeito específico. Quando um evento extraordinário cria laços invisíveis de amizade entre elas, a catástrofe de uma mulher vira a inspiração de outra, e uma lição para todas. Às vezes não tem problema não seguir o rebanho. Vacas é um livro poderoso sobre três mulheres julgando uma à outra, mas também a si mesmas. Entre todo o barulho da vida moderna, elas precisam encontrar suas próprias vozes.

Olá pessoal, tudo bom com vocês? A resenha de hoje é do livro Vacas, lançamento da Harper Collins. Foi meu primeiro contato com a escrita de Dawn O’ Porter e venho trazer para vocês minhas impressões de leitura. Vamos falar um pouco sobre esta obra?


O livro de hoje é um livro bem diferente do que eu costumo trazer aqui, apesar de vocês já terem me ouvido falar sobre livros com essa temática no canal. Vacas traz a história de três mulheres e várias discussões sobre o feminismo. Não, por favor, não torça o nariz ainda!

Quando escutamos ou lemos essa “palavra” feminismo, temos a tendência de pensar em pessoas radicais que seguem o movimento, mas, este livro não o aborda dessa maneira! O livro o aborda através da história de três mulheres totalmente diferentes, que acabam tendo seus destinos interligados pela catástrofe que ocorre com uma delas.


Toda novilha é um pedaço de carne, meramente uma fonte de produção em potencial. Mas, pelo visto, não oferecem muita coisa além disso... Algumas pessoas dizem que isso se reflete em nossa sociedade e no modo com enxergamos as mulheres. Ou não. Existem vários tipos de mulheres, e todo esforço é necessário para que elas não sejam vistas apenas como novilhas ou vacas. Mulheres não precisam se encaixar em estereótipos. Vacas não precisam seguir o rebanho.”

A primeira história é a de Tara, um produtora em uma empresa que produzir comentários. Seu ambiente de trabalho é extremamente misógino, fazendo com que Tara tenha que demonstrar duas vezes mais força e capacidade que qualquer um dos homens que trabalhem com ela para tentar ser levada a sério. A mesma é uma excelente profissional, mãe solteira e tem verdadeira paixão por sua filha, sempre a colocando em primeiro lugar. Apesar de tudo isso que já disse, o fato de ser mãe solteira faz com que as demais mães das colegas de sala de sua filha a julguem a todo momento.

Após uma noite em que ela acaba fazendo algo que viraliza nas redes, passa a ser julgada não só no ambiente virtual, mas praticamente por todos a sua volta(não vou falar o que é ou discutir a questão por ser spoiler).

A segunda mulher que conhecemos através dessa história é Camilla Stacey, que prefere ser chamada de Cam. Ela é uma influenciadora digital que emite opiniões fortes sobre o feminismo em seu blog.  Trinta e seis anos, solteira, feliz e sem intenção alguma de ser mãe. Algumas pessoas a seu redor acreditam que a sentença anterior é impossível, pensamento que ela sempre tenta desmistificar em suas postagens. Após um texto muito sincero onde afirma que a mulher não pode ser definida pela sociedade apenas por ser mãe, ela acaba criando uma verdadeira polêmica na sociedade britânica, chegando a ser apelidada por alguns jornais de “Rosto da Mulher sem filhos”, o que não a incomoda nem um pouco.

A terceira mulher que nos é apresentada é Stella, assistente pessoal de um fotógrafo que descobre que possui o gene BRCA, responsável pelo câncer de mama e ovário, tendo 85% de chance de desenvolver a doença, motivo pelo qual precisa fazer cirurgias para retirá-los caso queira diminuir as chances de ter câncer. A questão é: ela não poderá mais ter filhos depois disto. Essa possibilidade não havia passado por sua cabeça ainda, mas, devido a situação em que se encontra, surge uma grande vontade de ter filhos, e isso tem feito com que seu relacionamento desmorone devido a pressão.

Apesar de não parecer possível, Dawn Porter consegue interliga-las em Vacas, abordando diversas questões como feminismo, liberdade individual, amor próprio, aborto, preconceito no trabalho, dentre vários outras, que nos fazem refletir sobre nossa atual sociedade e sobre nossas próprias atitudes.


Desde que li Sejamos todos feministas, da Chimamanda, tenho me interessado cada vez mais por obras que abordem premissas feministas. Acredito que muitas coisas só vão mudar em nossa sociedade se a debatermos constantemente (observem que eu disse debater rs).Foi por isso que me interessei tanto por esta obra, pois acredito que todo empoderamento é necessário sim!

Este livro tem essa função. É uma narrativa série, consistente e que “toca na ferida”, vez que vários dos temas aqui abordados são considerados tabus em nossa sociedade, dando voz a um movimento necessário que vem ganhando força.

Vemos uma mulher qualificada tendo sua capacidade questionada apenas por ser mulher. Vemos uma mulher ser definida por uma única atitude errada por toda sociedade, chegando a ser questionada por todas as suas atitudes anteriores àquele erro e se sentindo acuada com todo o julgamento que vem recebendo “das pessoas de bem” (percebam as aspas por favor rs). Vemos mulheres julgando umas às outras a todo momento, se tratando como inimigas. Vemos uma mulher ser vista com maus olhos apenas por se aceitar como é e ser feliz com isso, sendo acusada de diversas formas, ainda que tente ajudar outras mulheres com suas palavras. Vemos a felicidade alheia incomodar, gerar ódio.

Sabe o que é mais incômodo nisso tudo? É que isso está presente em nosso dia a dia. Todo esse julgamento, todo esse ódio gratuito e todas essas atitudes que questionam nossa capacidade apenas por ser mulher está incutida em nossa sociedade e este é um livro que “esfrega” isso em nossa cara, nos fazendo ter um choque de realidade para tudo que ainda está errado e que as vezes preferimos ignorar.

Em meio a posts do blog de Cami, diálogos e pensamentos, vemos diversos temas serem abordados, às vezes de forma incômoda, as vezes leve, mas, que nos fazem questionar muitas coisas. Aqueles pensamentos não foram jogados ali ao acaso, eles foram feitos para desconstruir e desmistificar e isso é simplesmente incrível.

Quero esclarecer que isso não quer dizer que concordo com tudo o que li, mas que me fez refletir sobre minhas opiniões e atitudes e isso fez com que eu apreciasse a leitura e a achasse super válida.

Entretanto, mesmo em meio a esse enredo empoderador, preciso ressaltar alguns pontos que me incomodaram ao decorrer da leitura, apesar de não desaboná-la.

O primeiro deles é algo que me incomoda inclusive em muitos livros eróticos (que não é o caso desse livro, a propósito – não se trata de uma trama erótica): o uso de camisinha. Agora você deve estar pensando: sério, Pollyanna? E te digo, sim! Vemos uma personagem que engravidou por acidente, que já pegou dst e ainda assim não aprendeu os riscos da falta do uso de preservativo. E não é só ela, todas as outras também. Ter relações sexuais com um estranho sem se preocupar em contrair uma doença vai de encontro com todas as campanhas que vemos e que são extremamente importantes. Autores deviam tomar mais cuidado com isso em seus livros para não passar uma mensagem errada.

Outro ponto que me incomodou foram as atitudes em relação a uma certa personagem e a forma como a autora lidou com ela. Apesar do desfecho interessante, acredito que deveria ser mais explícito que as atitudes da personagem eram doentias e que a mesma necessitava de um acompanhamento profissional. Não me entendam mal, as atitudes não são ignoradas na trama nem saem impunes, mas, acredito que as consequências em relação a elas não foram tão bem abordadas. Ela em um ponto é vista como uma vilã e no entanto, é muito mais que isso, é alguém que precisa urgentemente de ajuda.

Mesmo com estas duas ressalvas, deixo deixar claro que é uma história muito bem desenvolvida, fluida e reflexiva. A editora caprichou na edição que contém uma capa linda, folhas amarelas, uma excelente diagramação e revisão.

Enfim! É uma história feita para desconstruir e desmistificar, como já dito. É um enredo feito para refletir, para ser lido com atenção a cada uma das mensagens que vão chegando, às vezes explicitamente e em alguns casos nas entrelinhas. Recomendo a todos que gostem da temática e que tenham mente aberta para lê-lo. Pode ter certeza, se der uma chance, este livro vai te surpreender. 


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